foram três anos de espera para que uma nova mesa, dessa vez realmente de canto, acontecesse. tudo tão absolutamente a nosso favor que só mesmo acreditando que alguém lá cima orquestrou a coisa toda. bom, talvez o pisão que levei da candice na porta do hotel não estivesse no script, mas tornou-se irrelevante no meio do abraço coletivo das três mocinhas em plena avenida lucio costa ( a sernambetiba, para os mais íntimos). e num restaurante que servia coquetéis com nível de açúcar acima do recomendado pela sociedade brasileira de diabetes e que contava em seu staff com garçons pouco familiarizados com uma coisa chamada câmera digital e com uma outra coisa chamada plural da língua portuguesa, clara estava logorréica, talvez ainda em êxtase pela viagem que fez recentemente ou pelo efeito smirnoff ice na veia. a vida profissional de candice me fez achar que a isaura das páginas do bernardo guimarães tinha vida fácil. eu fiz uma previsão cabalística para 10/10/10 e descobri que tenho algo em comum com o marido de candice: a vontade que uma certa pessoa tome solenemente no famoso orifício corrugado ( candice disse que continuo finamente desbocada e eu não serei besta de contrariar a pessoa ).
a noite de sexta marcou cada uma de nós. é fato. não só pelo reencontro, mas porque acredito que cada uma pode fazer um balanço de si mesma. as perdas, as escolhas, as derrotas, os sonhos, as conquistas... a viagem de sonho de criança realizada, o encontro dos olhares num certo metrô, a sorte do amor tranquilo...
espero que a vida nos reserve outras calçadas, outras mesas de canto ou até mesmo um meio-fio de uma rua qualquer para que a gente possa brindar ao delicado da vida. de novo. sempre.
obrigada, clara. obrigada, candice. vocês ocupam lugar legítimo na minha vida. e isso ninguém tira. é nosso.